Glossário

No processo de leitura da documentação ou mesmo da historiografia, as pesquisadoras de Iniciação Científica deparam-se com termos e expressões desconhecidos que muito dizem das realidades vividas por colonizadores, colonos e colonizados na América portuguesa. No intuito de divulgar seus significados, facilitando o acesso e a compreensão de novos pesquisadores foi realizado o Glossário abaixo. Ele é alimentado continuamente, ainda que sem regularidade definida, pois realiza-se a partir das dúvidas das alunas. Aceitamos colaborações.

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Armada: conjunto de navios de guerra de uma nação.

Auto de posse de terra: Era um ritual que consistia numa caminhada pelas terras recebidas em doação que acontecia da seguinte maneira: o capitão e o governador da Capitania, na presença do tabelião e demais testemunhas, colocavam nas mãos do sesmeiro, galhos de árvores, paus, pedras, ervas e todo o contéudo que nas terras houvesse, depois o sesmeiro na presença das testemunhas caminhava pelas terras, não havendo contestação das terras por partes de outros possíveis donos, a pose de tais terras era dada como realizada, podendo ser lavrada em cartório a escritura de posse.

Binava: celebrar (o padre) duas missas no mesmo dia.

Bergantim: embarcação ligeira de dois mastros e uma só coberta; navio pequeno, ligeiro e aberto, próprio para combate.

Cabido: assembléia constituída por uma ordem religiosa; corporação de cônegos de uma catedral; alpendre anexo a uma igreja.

Cardeal-infante: cardeal – cada um dos 70 prelados que constituem o Sacro Colégio Pontifício, são os principais conselheiros do papa e têm voto na sua eleição. Infante: filho de rei, mas não herdeiro da coroa.

Capitão: antigo comandante de milícias locais.

Capitão-Mor: (MOR: Maior) cargo de chefia nas antigas milícias.

Catecúmeno: pessoa que se prepara e instrui, nos princípios da religião, para receber o batismo; neófito, noviço.

Câmaras: Instituição colinial de grande importância era capaz de promover a ligação fundamental entre a população e os demais órgãos administrativos coloniais. Segundo Ronaldo Vainfas, vários historiadores buscaram definir um lugar para as câmaras municipais no período colonial, entre eles, o historiador inglês Charles Boxer, que desenvolveu o tema, sob o ponto de vista de sua dimensão imperial, buscando suas especificidades no mundo colonial português. Evaldo Cabral de Melo destacou a característica fundamental das câmaras enquanto espaços privilegiados de negociação política. De acordo com Vainfas, o sistema de governo municipal era regido pelo regimento de 1506, texto que só foi alterado após a emancipação política do Brasil, em 1822.  Os cargos eram preenchidos por meio de eleições, organizadas a cada três anos, momento em que eram escolhidos usualmente três ou quatro vereadores – os chamados “homens bons”. As câmaras eram responsáveis pela fiscalização das condições de vida urbana, incluindo o abastecimento de gêneros, a salubridade e higiene nas vilas. Essa atribuição ficava a cargo de um juiz, selecionado dentre os vereadores eleitos. As câmaras eram dotadas de um patrimônio municipal formado principalmente, por terrenos públicos, terras aforadas, parte do tributo real arrecadado e uns poucos tributos de caráter especificamente local.

Coadjutor: ajunto de um pároco.

Comenda: antigo benefício honorífico concedido a eclesiásticos ou a cavaleiros de ordens militares.

Confraria: associação com fins religiosos

Correspondência Epistolar de Ofício:

Cúria: a corte do papa; tribunal eclesiástico das dioceses; conjunto das repartições administrativas do Vaticano.

Dotação régia: previsão de uma verba inscrita em orçamento para determinado serviço, dado pelo rei.

Degredados: exilados.

Geral: chefe de ordem religiosa.

Indulgência plenária: absolvição plena das penas temporais.

Meirinho: antigo magistrado, de nomeação régia e que governava amplamente uma comarca ou um território; antigo empregado judicial, correspondente ao moderno oficial de justiça.

Mestre de Meninos: o mesmo que mestre escola.

Mestre-Escola: professor do ensino primário; dignidade inferior, em cabidos.

Prelado: título honorífico de certos dignitários da Igreja, como bispos, arcebispos etc.

Prelado sui iuris: autoridade eclesiástica; bispo; antigo titulo de Reitor da Universidade de Coimbra.

Pároco interino: Pároco – sacerdote que tem a seu cargo a direção espiritual de uma paróquia. Interino – Provisório.

Provincial: superior de certo número de casas religiosas.O provincial poderia nomear e investir a um padre como procurador, o qual tinha poderes para tratar dos assuntos referentes às demandas.Os provinciais eram responsáveis por enviar relatórios finacieros a Roma referentes às propriedades, colégios e outras instalações sob sua responsabilidade, devendo constar no Registro o montante de créditos e débitos de cada unidade.

Padre procurador: Na Companhia de Jesus o padre procurador era nomeado pelo responsável pelo colégio – o reitor – que era responsável pela administração e condução dos assuntos referentes a um colégio e suas propriedades. Ao procurador era necessário ter o conhecimento dos trâmites administrativos e os aspectos jurídicos de defesa do patrimônio perante a sociedade eram suas atribuições. Cabia ao procurador prover os bens materiais para o culto nos colégios, e ainda exercia o controle da contabilidade verificando os créditos e débitos. Sua dedicação deveria ser exclusiva e necessariamente o afastava do trabalho apostólico como membro da Companhia de Jesus.

Padre Superior: Junto com o procurador, procurava resolver assuntos legais, fazendo consultas, investigando cada um dos casos em profundidade, analisando quais os procedimentos legais cabíveis e mais adequados para os processos, bem como procurava todos os meios favoráveis para ajudar a resolução das pendências. De acordo com a constituição da Ordem caberia ao superior geral competia “estipular qualquer contrato de compra ou venda de todos os bens móveis dos colégios e casas da Companhia de Jesus. Poderá também impor ou resgatar quaisquer obrigações sobre os bens imóveis, em utilidade e beneficio dos mesmos colégios, com a faculdade de se poder desquitar, restituindo o dinheiro que tiver sido adiantado.” (CONSTITUIÇÕES apud ASSUNÇÃO, Paulo. 2004)

Padre Visitador: Cabia ao visitador o acompanhamento periódico, para verificar, in loco, o processo de funcionamento das diversas escolas e residências, visando instruir sobre as melhores soluções, elaborando diretrizes para que todos os membros da Companhia pudessem estar agindo conforme os procedimentos internos.

Padre Reitor: O reitor do colégio jesuítico era responsável pela admninistração e condução dos assuntos referentes a um colégio e suas propriedades. O reitor do colégio deveria ter contatos diretos e frequentes com o padre provincial a fim de dar encaminhamneto aos assuntos administrativos nos quais se incluíam os relatórios econômicos, bem como as questões que envolviam a interação da Ordem com as autoridades civis.

Prepósito: prelado de certas corporações religiosas.

Redízima: A dízima, que é uma contribuição que se pagava à Igreja e que consistia na décima parte dos frutos colhidos, quando enviada para o Rei.

Professo: o religioso que professou.

Profissão: declaração ou confissão pública.

Regimento régio: estatuto do rei.

Vicentinos: relativo a S. Vicente de Paula (1581-1660) ou à Conferência de S.  Vicente de Paula, ou aquele que é membro desta conferência.

Referências bibliográficas

CASTELNAU-L’ESTOILE, Charlotte. Operários de uma vinha estéril. Os jesuítas e a conversão dos índios no Brasil – 1580-1620. Bauru, São Paulo: Edusc, 2006.

CRESSONI, Fábio Eduardo (Org.). Educação, Sociedade e Cultura na América portuguesa. Estudos sobre a presença jesuítica. Curitiba, Paraná: Editora CRV, 2012.

FERNANDES, Eunícia. Os Aldeamentos jesuíticos e a colonização na América portuguesa. Tese (Doutorado em História), Niterói: UFF, 2001.

LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. São Paulo: Edições Loyola, vol. 1, 2 e 3., 2004.

_____________. Suma Histórica da Companhia de Jesus no Brasil. Lisboa: Junta de Investigação do Ultramar, 1965.

SOUZA, Laura de Mello e. O Diabo e a Terra de Santa Cruz: Feitiçaria e Religiosidade no Brasil Colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

VAINFAS, Ronaldo (Org.). Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

Material online:

“Bergantim”, In: http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/c05.html

2 thoughts on “Glossário

  1. Sou professora de História na UFRN e, junto a estudantes de graduação e mestrado, estudamos a Companhia de Jesus. Adorei esse blog, e eles também vão gostar. Dá vontade de fazer um convênio com vocês da PUC…. Abraço e sucesso.
    Maria Emilia Monteiro Porto

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